Segundas
Não
importa se o final de semana teve dois dias ou se foi após um feriado
prolongado. A sensação não muda. Vai chegando o finalzinho de domingo e uma
sensação de aperto surge no peito. Os dias parecem curtos demais. Tudo parece
breve demais. É até difícil de colocar em palavras. É como se a aguardada
sexta-feira chegasse de relance e num piscar de olhos olha eu chateada que o
final de semana acabou. Não sei se sou eu, não sei se é o mundo que está mudando...
Só sei que as “as segundas” chegam rápido demais e eu gostaria de morar naquele
instante de euforia da sexta-feira em que estou empolgada com o final de semana
que se aproxima. Eu gostaria de morar na excitação da sexta-feira, onde tudo é
esperança e empolgação. Seja a ansiedade para deixar a casa limpinha... Trocar
a roupa de cama usada por aquela recém lavada com cheirinho de amaciante... Lavar
a varanda ao som de uma música dançante... Botar a nova série em dia ou
maratonar pela milésima vez a sua série conforto... Sair para passear com a
família ou ter o primeiro encontro com o crush... Seja o que for que você
espera pelo final de semana, não tem ansiedade mais gostosa. Infelizmente, tudo
voa e eu preciso escolher entre passear, arrumar casa, maratonar a série, estudar
ou devorar um livro. Pra mim, está difícil fazer tudo. As segundas chegam
rápido demais.
Ainda
tem os finais de semana que eu não quero fazer nada. Ficar horas e mais horas
jogada debaixo das cobertas nesse outono friorento e levantar apenas quando der
vontade de ir ao banheiro. Claro que depois bate aquele pensamento “eu deveria
ter aproveitado melhor o final de semana”, mas esses momentos são super
válidos, desde que não sejam os únicos. Afinal, as segundas chegam rápido
demais e tudo passa voando. É preciso viver mais que apenas o calor
reconfortante das cobertas numa tarde de outono. É gostoso, é. Mas tem coisas tão
gostosas quanto para se aproveitar. As segundas não param de chegar e um dia
você vai parar e se perguntar “o que mais eu fiz? O tempo passou rápido demais”
e irá bater aquela sensação de “tempo perdido” ou “pouco vivido”. Claro que há
várias formas de viver. Só viva, respire, dê uma pausa, acelere, respire
novamente, suma debaixo das cobertas, veja uma temporada inteira de uma série
ou engula um livro, estude, respire o ar livre, deixe o sol encantar seus olhos
– e as estrelas também. Apenas não se deixe envolver pela correria do mundo,
por essa sensação de tempo apressado. Não lamente as segundas... Elas são
importantes.
Apesar
da melancolia, as segundas precisam chegar. Elas chegam e num piscar de olhos,
olha eu ansiosa e envolvida pela sexta-feira novamente. E os ciclos se repetem.
Mas não posso me enganar. Falar é mais fácil do que viver o que falo. É preciso
força e coragem para enfrentar a correria e dar uma pausa no mundo de
pensamentos que nos impede de realmente viver. É preciso sorrir com mais frequência
de coisas bobas e simples. É preciso sorrir mais vezes, não importa o motivo.
Dizem que quem muito sorrir, tem menos rugas. Acho que esse é um bom motivo. Se
quer outro, pare e pense nas vezes que seu coração ficou leve e o mundo pareceu
mais bonito quando você sorriu. Eu consigo me lembrar de inúmeros momentos em
que sorrir fez eu me sentir melhor. Seja aquele meme bobo, a série de comédia,
a conversa descontraída com a amiga, o almoço com a família, a sua conversa de
agradecimento com o seu Deus... Há muitos bons motivos para sorrir e se você
conseguir sorrir numa segunda, você entendeu o que é viver. Não espere pela sexta-feira
apenas. Sorria segunda, sorria terça, sorria quarta, sorria quinta, sorria
sexta, gargalhe no sábado, chore de tanto rir no domingo e repita o ciclo. Segundas
podem ser difíceis, mas não precisam ser sempre difíceis. E esse conselho
também vale para mim – a maior melancólica das segundas.
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