domingo, 14 de junho de 2026

 

Dona de mim


            Na maioria das noites, a solidão nunca foi um problema. Sempre fui um ser independente, que prezou por seu espaço. Acredito que essa forma de encarar a vida me blindou de interesses romances supérfluos. E se eu sofri – sim eu sofri, foi por relações realmente intensas e que mexeram com todo o meu corpo. Me interessar romanticamente pelo outro é dificílimo e quando acontece, perturba meus pensamentos. Claro que tive interesses breves, mas não a ponto de me bagunçar. Já os demorados... Coitada de mim. Mesmo assim, fico bem em minha solidão. No entanto, todos temos nossos pontos fracos, inclusive, eu – a pessoa mais orgulhosa do mundo por ficar bem só. Não sei exatamente em que momento deixei isso acontecer. Sempre fui independente e dona de mim. Ainda sou dona de mim e do meu corpo. Porém... Há um porém que tem bagunçado todo o meu ser.

            Nem deveria colocar em palavras tamanha intensidade. Não sei se sou capaz de colocar em palavras tamanha intensidade. Ao mesmo tempo em que “sofro” também me empolgo. A parte da empolgação, com certeza, é maior. Não sei como sou capaz de me excitar tanto. Nunca imaginei que isso fosse possível. É tesão que não cabe em mim. Não existem palavras suficientes para traduzir o que meu corpo sente. Ainda sou dona de mim. Ainda controlo minhas ações. No entanto, não sei até quando terei controle sob esse corpo. Ele tem pedido coisas que estão cada dia mais difíceis de ignorar. Eu fico bem só, mas meu corpo não quer mais ficar só. Desde aquele encontro, ele deseja mais. E mais, muito mais. Um encontro nunca será o suficiente. Meu corpo precisa desse outro corpo.

            Depois que ele me tocou, eu só penso em seu toque. Não quero ficar todas as noites sozinha. Quero seu toque muito mais que apenas a noite. Quero seu toque o dia todo, me deixando excitada dos dedos dos pés até os fios de cabelo. Eu fico toda vermelha só de imaginar ele próximo a mim. Aquele homem não é dono de mim, mas é dono de todo o meu tesão. Os nossos corpos se reconhecem a quilômetros e quilômetros de distância. Apenas sua voz é capaz de dar o choque em meus ombros, que ele conhece muito bem. E se tem uma coisa que ele conhece é meu corpo e todos os pontos que me causam euforia. Estranhamente (sim, por vezes fico insegura), ele deseja cada centímetro de mim e o desejo dele me deixa alucinada. É um desejo reciproco. Meu corpo também ama aquele corpo. Admiro cada pedacinho e desejo tocar e sentir tudo. Tocar, sentir, beijar, morder... Ele sabe muito bem como me fazer ficar enlouquecida. E, acredito, que tenho desempenhado um papel semelhante no desejo dele. Esse tesão mutuo me deixa enlouquecida. Eu quero mais, sempre mais. Dona de mim, independente e, por vezes, tranquila em minha solidão. Mas eu quero aquele homem. Cada dia eu quero mais e de forma mais intensa. Uma garrafa de vinho e aquele homem é suficiente para mim.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

 

Como se fosse a primeira vez


            Você já passou por uma situação que se repetiu, no entanto, é como se estivesse vivendo aquilo pela primeira vez? Isso pode acontecer quando você vai a um lugar, por exemplo, e observa detalhes no ambiente que antes passaram despercebidos. É o olhar diferenciado (ou até mais maduro) sobre uma situação ou ambiente já conhecido. Até aí é fácil de entender... Mas o que acomete a minha mente neste instante, que me faz dar voltas e mais voltas em meus pensamentos é quando envolve o ser humano. Tudo bem, você pode me dizer que é comum olhar para alguém e descobrir algo novo sobre aquela pessoa. Realmente, isso acontece muito. Eu mesma me pego surpresa com frequência, seja ao enxergar uma característica nova no outro ou em mim mesma. Mas ainda não é isso que mexe comigo hoje. Calma, estou chegando lá. Essa mente trabalha numa frequência para além do que eu mesma sou capaz de administrar.

            Hoje (e desde sempre), essa mente trabalha dando voltas e criando teorias com uma criatividade absurda. A verdade é que ela não para nem enquanto eu durmo. Os sonhos me contar coisas, outras vezes me confundem, já outras me bagunçam e ainda podem me fazer gargalhar com tamanha audácia. Mas, hoje, estou muito bem acordada pensando e pensando... Todas as vezes que ele vem eu sinto como se fosse a primeira vez... Ele vem, daquele jeitinho que eu conheço com perfeição, me cativa, excita meus pelos, me faz delirar e, estranhamente, me faz sentir como se fosse a primeira vez. Como é possível algo assim? E não se passaram dias ou meses. São anos nos conhecendo, desejando e, mesmo assim, o tesão envolvido se mantem como na primeira vez.

            Eu desejo, todos os dias, mesmo sabendo perfeitamente como é, ter novamente aquela sensação de estar com ele. Loucura, eu sei. Mas é uma loucura deliciosa e viciante. A empolgação, a ansiedade, a pele arrepiada, a respiração ofegante... Tudo intensamente igual e maravilhoso. E, claro, a cada novo encontro, uma dose extra de excitação. Cada dia a mais de conhecimento é um toque a mais de prazer. Eu fico ansiosa, quero ser enxergada, sou enxergada, coro por completo, me derreto, me delicioso e vivo a mais intensa excitação. Meus ombros não mentem e ele sabe bem. É intensamente gostoso. Eu quero mais e sempre mais.  E sempre é como se fosse aquela nossa primeira vez. Aquela primeira vez inesquecível. Atração instantânea. Tesão mutuo. Prazer viciante. E aquela dose de loucura gostosa que nos faz questionar a realidade. Mas sim, é real. Real e maravilhoso. Sem dúvidas é mais que apenas uma atração avassaladora. E, simplesmente, ter ele é como se fosse a primeira vez.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

 

Segundas


Não importa se o final de semana teve dois dias ou se foi após um feriado prolongado. A sensação não muda. Vai chegando o finalzinho de domingo e uma sensação de aperto surge no peito. Os dias parecem curtos demais. Tudo parece breve demais. É até difícil de colocar em palavras. É como se a aguardada sexta-feira chegasse de relance e num piscar de olhos olha eu chateada que o final de semana acabou. Não sei se sou eu, não sei se é o mundo que está mudando... Só sei que as “as segundas” chegam rápido demais e eu gostaria de morar naquele instante de euforia da sexta-feira em que estou empolgada com o final de semana que se aproxima. Eu gostaria de morar na excitação da sexta-feira, onde tudo é esperança e empolgação. Seja a ansiedade para deixar a casa limpinha... Trocar a roupa de cama usada por aquela recém lavada com cheirinho de amaciante... Lavar a varanda ao som de uma música dançante... Botar a nova série em dia ou maratonar pela milésima vez a sua série conforto... Sair para passear com a família ou ter o primeiro encontro com o crush... Seja o que for que você espera pelo final de semana, não tem ansiedade mais gostosa. Infelizmente, tudo voa e eu preciso escolher entre passear, arrumar casa, maratonar a série, estudar ou devorar um livro. Pra mim, está difícil fazer tudo. As segundas chegam rápido demais.

Ainda tem os finais de semana que eu não quero fazer nada. Ficar horas e mais horas jogada debaixo das cobertas nesse outono friorento e levantar apenas quando der vontade de ir ao banheiro. Claro que depois bate aquele pensamento “eu deveria ter aproveitado melhor o final de semana”, mas esses momentos são super válidos, desde que não sejam os únicos. Afinal, as segundas chegam rápido demais e tudo passa voando. É preciso viver mais que apenas o calor reconfortante das cobertas numa tarde de outono. É gostoso, é. Mas tem coisas tão gostosas quanto para se aproveitar. As segundas não param de chegar e um dia você vai parar e se perguntar “o que mais eu fiz? O tempo passou rápido demais” e irá bater aquela sensação de “tempo perdido” ou “pouco vivido”. Claro que há várias formas de viver. Só viva, respire, dê uma pausa, acelere, respire novamente, suma debaixo das cobertas, veja uma temporada inteira de uma série ou engula um livro, estude, respire o ar livre, deixe o sol encantar seus olhos – e as estrelas também. Apenas não se deixe envolver pela correria do mundo, por essa sensação de tempo apressado. Não lamente as segundas... Elas são importantes.

Apesar da melancolia, as segundas precisam chegar. Elas chegam e num piscar de olhos, olha eu ansiosa e envolvida pela sexta-feira novamente. E os ciclos se repetem. Mas não posso me enganar. Falar é mais fácil do que viver o que falo. É preciso força e coragem para enfrentar a correria e dar uma pausa no mundo de pensamentos que nos impede de realmente viver. É preciso sorrir com mais frequência de coisas bobas e simples. É preciso sorrir mais vezes, não importa o motivo. Dizem que quem muito sorrir, tem menos rugas. Acho que esse é um bom motivo. Se quer outro, pare e pense nas vezes que seu coração ficou leve e o mundo pareceu mais bonito quando você sorriu. Eu consigo me lembrar de inúmeros momentos em que sorrir fez eu me sentir melhor. Seja aquele meme bobo, a série de comédia, a conversa descontraída com a amiga, o almoço com a família, a sua conversa de agradecimento com o seu Deus... Há muitos bons motivos para sorrir e se você conseguir sorrir numa segunda, você entendeu o que é viver. Não espere pela sexta-feira apenas. Sorria segunda, sorria terça, sorria quarta, sorria quinta, sorria sexta, gargalhe no sábado, chore de tanto rir no domingo e repita o ciclo. Segundas podem ser difíceis, mas não precisam ser sempre difíceis. E esse conselho também vale para mim – a maior melancólica das segundas.