Dona de mim
Na maioria das noites, a solidão
nunca foi um problema. Sempre fui um ser independente, que prezou por seu
espaço. Acredito que essa forma de encarar a vida me blindou de interesses
romances supérfluos. E se eu sofri – sim eu sofri, foi por relações realmente
intensas e que mexeram com todo o meu corpo. Me interessar romanticamente pelo
outro é dificílimo e quando acontece, perturba meus pensamentos. Claro que tive
interesses breves, mas não a ponto de me bagunçar. Já os demorados... Coitada
de mim. Mesmo assim, fico bem em minha solidão. No entanto, todos temos nossos
pontos fracos, inclusive, eu – a pessoa mais orgulhosa do mundo por ficar bem
só. Não sei exatamente em que momento deixei isso acontecer. Sempre fui
independente e dona de mim. Ainda sou dona de mim e do meu corpo. Porém... Há
um porém que tem bagunçado todo o meu ser.
Nem deveria colocar em palavras
tamanha intensidade. Não sei se sou capaz de colocar em palavras tamanha
intensidade. Ao mesmo tempo em que “sofro” também me empolgo. A parte da
empolgação, com certeza, é maior. Não sei como sou capaz de me excitar tanto.
Nunca imaginei que isso fosse possível. É tesão que não cabe em mim. Não
existem palavras suficientes para traduzir o que meu corpo sente. Ainda sou
dona de mim. Ainda controlo minhas ações. No entanto, não sei até quando terei
controle sob esse corpo. Ele tem pedido coisas que estão cada dia mais difíceis
de ignorar. Eu fico bem só, mas meu corpo não quer mais ficar só. Desde aquele
encontro, ele deseja mais. E mais, muito mais. Um encontro nunca será o
suficiente. Meu corpo precisa desse outro corpo.
Depois que ele me tocou, eu só penso
em seu toque. Não quero ficar todas as noites sozinha. Quero seu toque muito
mais que apenas a noite. Quero seu toque o dia todo, me deixando excitada dos dedos
dos pés até os fios de cabelo. Eu fico toda vermelha só de imaginar ele próximo
a mim. Aquele homem não é dono de mim, mas é dono de todo o meu tesão. Os
nossos corpos se reconhecem a quilômetros e quilômetros de distância. Apenas sua
voz é capaz de dar o choque em meus ombros, que ele conhece muito bem. E se tem
uma coisa que ele conhece é meu corpo e todos os pontos que me causam euforia.
Estranhamente (sim, por vezes fico insegura), ele deseja cada centímetro de mim
e o desejo dele me deixa alucinada. É um desejo reciproco. Meu corpo também ama
aquele corpo. Admiro cada pedacinho e desejo tocar e sentir tudo. Tocar, sentir,
beijar, morder... Ele sabe muito bem como me fazer ficar enlouquecida. E, acredito,
que tenho desempenhado um papel semelhante no desejo dele. Esse tesão mutuo me
deixa enlouquecida. Eu quero mais, sempre mais. Dona de mim, independente e,
por vezes, tranquila em minha solidão. Mas eu quero aquele homem. Cada dia eu
quero mais e de forma mais intensa. Uma garrafa de vinho e aquele homem é
suficiente para mim.
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