quinta-feira, 22 de setembro de 2022

 

Fica comigo


            Eu tive um sonho. Eu sonhei que prometia nunca te deixar ir. Não, eu não quero te deixar ir. A minha vontade sempre foi ter você aqui pertinho de mim. Tão perto que posso escutar as batidas do seu coração e sentir o seu perfume inundando todo o meu corpo. Eu sempre sonhei com as suas mãos deslizando pelo corpo, a sua boca me fazendo vibrar num beijo urgente, seus olhos brilhando ao encontrarem os meus e o seu suor se misturando ao meu. Sim, eu vivo em excitação ao imaginar a excitação que é estar com você. E no meu sonho eu não poderia estar menos excitada, eufórica e com pressa. A urgência dos seus beijos, do seu toque, do corpo com corpo, mexeu comigo. Mexeu de um jeito que, estranhamente, me surpreende. E eu ficar surpresa com qualquer coisa relacionada a você, é estranho. Afinal, não é de hoje que eu te quero e te desejo. A minha maior visão de êxtase é, sem dúvidas, você (leia-se também “você comigo”).

Mas isso não é uma novidade. Te desejo desde sempre. O fato é que aquele sonho mexe comigo de um jeito bem louco. Não consigo parar de pensar em como foi louca a sensação que eu tive. Louca não é a melhor palavra, mas é a única que me vem à cabeça agora. E sim, da mesma forma que sobram palavras quando se trata de você, também faltam palavras. Isso sim é meio louco. Mas uma loucura boa, eu acho. E assim você segue mexendo comigo, como o sonho. A minha promessa, os seus olhos e a verdade que percorria nossos corpos, tudo isso me deixa excitada. Tudo bem, há excitação em tudo e a todo momento. Até nos sonhos... Me responde: você dorme bem? Pergunto isso porque você vive habitando os meus sonhos, me inundando de memórias cheias de emoção e um pouco de loucura. Ou sou apenas eu e a minha mente agitada e criativa. Um pouquinho dos dois, talvez? Vai saber... Só posso dizer que foi aquele tipo de sonho que nos faz acordar suados, com o coração saltitando, a respiração ofegante e o intenso desejo de dormir e continuar sonhando.

“Prometo nunca deixar você ir”, disse com a respiração ofegante e brilho nos olhos. “Você vai deixar eu ir?”, perguntei. Você me olhou com o carinho de sempre, beijou a minha testa, depois tocou os meus lábios com uma de suas mãos e me puxou para um beijo intenso, urgente e demorado. Rapidamente nossos corpos estavam totalmente entregues. Mas eu queria mais, muito mais. Eu queria corpo, coração e muita excitação. Eu queria você, muito mais que fisicamente. Eu quero você muito mais que fisicamente. Eu quero estar totalmente entregue em seus braços. “Você vai deixar eu ir?”, perguntei novamente, já com os olhos transbordando emoção. Você sorriu daquele jeitinho que me encanta e faz o meu coração quase pular para fora do peito. “Fica comigo”, eu pedi e acordei. Excitação, emoção e um pouco de loucura, essa sou eu ao acordar esperando você.

domingo, 4 de setembro de 2022

 

Me diz o que aconteceu


Então, me ajuda a entender como foi que chegamos até aqui. Tem tempos que eu busco uma resposta, mas não encontro. Na minha mente não faz muito sentido. Nada parece fazer sentido quando eu penso em você e no que nos tornamos. O início foi lindo, empolgante, cheio de excitação, tanto que criei algumas expectativas. Não posso dizer que fiz errado. Não fiz. Como não me envolver? Como não esperar e querer mais? Você mostrava se importar, você estava presente em cada momento. Eu só queria você e você dizia só querer a mim. Não estava nessa sozinha. Não mesmo. Por isso que nada parece fazer sentido agora quando já fez sentido até demais. Éramos o que poderiam chamar de “carne e unha”. Sempre próximos, compartilhando cada momento, cada tristeza, cada alegria e excitação. Éramos um verdadeiro exemplo de casal, apesar de não sermos oficialmente um casal. Nunca rotulamos nossa relação. Nunca nos preocupamos com isso. Então eu penso, será que esse foi o nosso erro? Não definimos o que tínhamos e deixamos o mundo exterior e suas pessoas horríveis invadirem o nosso mundo? Porque eu não consigo entender, não consigo chegar a lugar nenhum quando procuro uma explicação. Como nos tornamos isso o que somos hoje? Será que o que você dizia era mentira? Será que suas ações contrariavam as suas reais intenções? Será que eu fui inocente demais por acreditar em todas as desculpas? Será que eu confiei mais do que deveria em você e naquela pessoa? Muitas perguntas, nenhuma resposta. Eu, simplesmente, estou aqui, mais uma vez, tentando entender, para me livrar da mágoa e de sentimentos tão conflitantes.

Não queria me sentir assim, não queria que fosse assim. Não posso esconder, queria você de volta junto com todos os nossos momentos e nossa forte ligação. Mas então uma voz no fundo da minha cabeça pede pra eu tomar cuidado e enxergar a verdade. Estou ficando louca? É apenas a mágoa falando ou é a minha consciência tentando fazer eu entender que estou enganada? Não sei. Esse é o problema. Eu não sei de nada. Tento voltar algumas conversas, algumas ações e enxergar algo que não havia percebido, mas não consigo. Não sei se é aquele sentimento que tenho por você, que quer maquiar a verdade. Ou se eu quero evitar uma dor ainda maior. Na verdade, não posso fugir da dor. Qualquer que seja a resposta que eu encontrar, vai doer demais. Você não lutou por mim ou você nunca me quis de verdade e passou esse tempo todo me enganando, compartilhando com outra pessoa o que eu achava que compartilhava apenas comigo. Independente do que seja, vai doer. Já está doendo. Não queria que fosse assim. Quero você de volta. Quero nossa conexão de volta. Me diz o que aconteceu, como fomos chegar até esse ponto. Me diz o que aconteceu com o seu coração e todas aquelas palavras. Me diz o que aconteceu com o amor que você dizia sentir. Me diz que estou enganada por pensar na possibilidade de haver outra pessoa. Me diz que vai ficar tudo bem.

 

domingo, 28 de agosto de 2022

 

Quando te deixei ir


            É tão estranho, que chega a ser sufocante. Eu não consigo me lembrar com detalhes. Por mais que eu tente e me esforce – saiba que eu me esforço demais, não consigo me lembrar com exatidão do seu beijo e do que senti com ele. Desculpa. Você merecia mais, eu sei. Sinto muito por isso e por tudo, você, com certeza, merecia muito mais. De mim, isso já não sei. Não consigo me decidir se eu poderia ser o melhor pra você, mesmo que me abrisse por completo e me permitisse sentir, assim como você fez. Sempre o admirei por isso. O admiro muito por sua coragem em abrir o seu coração para uma “estranha” e, simplesmente, sentir tamanho sentimento por ela. Me dá vontade de chorar só de lembrar como e quanto você sentiu e eu não fui capaz de receber todo esse carinho. Eu, simplesmente, não me esforcei, não lutei contra meus traumas e medos e te deixei ir. Eu te perdi desde o primeiro encontro, quando não me dei a chance de te enxergar por completo. Afinal, hoje eu vejo. Desde o primeiro dia, você era uma imensidão. Você estava totalmente aberto, disposto a me conhecer de verdade. Era muito mais que atração pra você. Era muito mais que uma simples ficada depois de sermos apresentados por amigos. Eu vi o momento. Você me viu, viu o momento e viu inúmeros outros. Você enxergou possibilidades quando eu apenas estava focada em meus diversos anseios. Sim, eu fui uma tola por não arriscar, por não te enxergar e não te abraçar com vontade.

            Às vezes me pego pensando em como teria sido se eu não fosse tão difícil. Não é muito simples imaginar. Afinal, vida real é uma coisa muito complexa. No entanto, eu tenho um vislumbre do que poderia ser. E nessa visão nunca faltou amor e lealdade. Mas paro por aí. Não adianta eu ficar me enchendo de situações hipotéticas, situações lindas que poderiam acontecer caso eu não fosse uma covarde. É, ainda não achei palavra melhor para me descrever. Tive medo de finalmente encontrar a pessoa que mexeria com todas as minhas estruturas e me tirasse da minha zona de conforto. Não abri a porta das possibilidades e não me permiti sentir. Claro, poderia dar super errado se eu tivesse nos dado uma chance, como poderia ter dado super, super certo. E assim é a vida, vários caminhos e possibilidades, que apenas saberemos se nos fará bem ou mal se nos arriscarmos. Você se arriscou, me abraçou, me beijou, me tocou com todo o seu corpo, mente e coração. Você enxergou algo em mim que eu não fui capaz de enxergar em mim mesma, em você e em nós. “Você é o meu tesouro. Não quero te perder. Não posso perder essa mulher incrível”, você dizia com frequência. No entanto, por mais que você repetisse, eu não conseguia aceitar essa admiração. Eu não queria aceitar que alguém me admirasse e me desejasse tanto a ponto de fazer planos, mudanças, tudo pra estar perto de mim.

            Não me odeie. Não cultive sentimentos ruins. Você não merece esse peso. Ah, na verdade, nem sei porque falo isso. Você não seria capaz de me odiar. Você é bom, é justo. Nunca prometemos nada um para o outro, mesmo que seus olhos me olhassem com o desejo de ser “para sempre”. Desculpa. Eu não fui capaz de receber esse amor. “Você é linda demais e eu não te mereço”, você disse uma vez. Não fui capaz de reagir. Depois disso, me afastei. Tive medo de te magoar ainda mais. Eu não conseguia me abrir, tentar e encarar a incerteza do meu coração. Por isso e por tudo, eu te deixei ir. Hoje, eu me questiono o motivo de não lembrar do seu beijo. Sei que tive momentos incríveis ao seu lado. Você sempre foi muito atencioso, me fazia sentir linda e bem. Mas o beijo... Não sei o que acontece, mas a minha mente não possui essa memória. Lembro de beijar você e sei que gostei. No entanto, a descrição daquele instante não vai além, não há profundidade. Eu não sei explicar. Eu não entendo. Me dá um verdadeiro nó na cabeça quando eu tento resgatar essa emoção. Apesar disso, o carinho e a admiração permanecem e eu espero que você possa ser amado com tamanha intensidade, que te fará esquecer qualquer tentativa em vão do passado. Por fim, depois de muito refletir, chego à conclusão que estamos melhores assim, distantes. Nem se eu me abrisse, eu seria a pessoa certa para você. Ou, seria? Quem sabe é o meu receio me freando novamente... Porque quando eu te deixei ir, um pedaço de mim também se foi. Quem sabe?!

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

 

O nosso beijo


            Uma parte de mim não para de pensar, de rememorar e reviver cada instante do nosso encontro. Eu fecho os meus olhos e posso sentir a sua presença. Sinto seu hálito fresco, seu perfume apaixonante, seu sorriso irresistível, seus olhos brilhantes e sua pele macia contra a minha. Eu consigo sentir com exatidão o que senti quando nos encontramos pela primeira vez. Ansiedade, empolgação, excitação e um pouquinho de vergonha. Inúmeras sensações e sentimentos atravessaram o meu corpo. Eu nunca duvidei que seria diferente. Eu sabia que seria intenso e único, e que eu ficaria com a lembrança intocável em minha mente e em meu coração. Claro, no coração, porque sabe muito bem que você está aqui, num cantinho mais que especial. Pra falar a verdade, eu não esperava, nem procurava. Simplesmente aconteceu e despertou todos os meus sentidos. Eu não esperava, longe disso. Não queria mais complicação, num momento que só havia confusão. Mas quem sou eu pra negar os sinais do meu corpo? Sim, eu já fiz isso, muito. Só que dessa vez, eu, simplesmente, senti. Pensei, claro que eu pensei. O que eu mais faço na vida é pensar, de forma ansiosa, claro. “Ele não me quer do jeito que eu o quero”, “Ele tem outras”, “Ele vai se cansar de mim”, “Eu vou me cansar novamente”, “Nunca daria certo”, “Eu não posso me apaixonar”, “Eu não deveria me envolver”, “Ele não me quer realmente”, e eu pensei e pensei. Não foi pouco, claro. Mas, apesar disso tudo, eu senti em primeiro lugar. E como senti! Continuo sentindo. Muito, ele sabe. O nosso encontro só provou como eu estava enganada em muitos dos meus pensamentos e dúvidas. Pensamentos incontroláveis, eu sei. Passou. E o encontro foi... Simplesmente, memorável. Eu ainda o sinto contra o meu corpo. Como eu sonhei com isso, como eu imaginei o seu toque, o seu abraço, o seu beijo...

Sim, imaginei repetidas vezes. Inúmeras vezes me peguei visualizando nosso beijo, nossos lábios num encontro urgente e delicioso. Imaginei como seria o encaixe, a duração, a excitação. E, felizmente, eu tenho o prazer de dizer e lembrar que foi ainda mais intenso. Foi diferente. Foi bem diferente do que eu imaginei. Por mais que a minha mente seja bem fértil, a realidade deu conta de superar toda a minha intensa imaginação. E como foi intenso... Diferente de tudo que já experimentei. Mal encontro palavras para definir o que foi aquilo. O que foi aquilo? É quase indescritível. É memorável, é delicioso. Todo o encontro foi delicioso, mas aquele beijo foi extremamente enlouquecedor. Toco os meus lábios e encontro vestígios dos seus. É, ficou marcado. E sei que pra você não foi diferente. Como pude duvidar? Como pude ter tantos pensamentos conflitantes? Natural, eu acho. Ainda mais porque eu gosto de você. Eu gosto muito mais do que imaginei gostar. E o nosso beijo foi tão especial e intenso porque eu finalmente pude assumir pra mim mesma que estou completamente apaixonada por você.

terça-feira, 23 de agosto de 2022

 

Por que não?


            Eu estava aqui pensando, coisa que naturalmente já faço demais. Temos a boba mania de diminuir o que sentimos porque não deu certo. Tentamos apagar o que vivemos e sentimos se não acabou do jeito que queríamos ou se não era o que esperávamos. Mas não dá para fazer isso. “Mas não acredito que aquilo era amor”, “Não acredito que amei aquela pessoa”, “Mas foi tão breve. Poderia mesmo ser amor?”, essas são algumas questões que passam pela minha cabeça quando eu me coloco pensando no passado e nas pessoas que conheci e experiências que tive. O amor, por exemplo, alguém sabiamente me lembrou que não existe apenas um tipo, uma forma de amar. Há amores fraternos, maduros, imaturos, breves... Quando falamos em amor, há diversas possibilidades. E claro que essa opinião não é universal. Você pode me questionar. Pois questione. Simplesmente, viva o amor como o seu coração mandar. A questão aqui é não diminuir o que sentimos e vivemos por não concordar com o seu fim ou com a forma que desenrolou. Amar deveria ser simples. E é. O que complica somos nós mesmos e as nossas inúmeras dúvidas, inseguranças e desculpas baratas. Amar é simples. O amor é o que é e cada um vive e sente à sua maneira. Breve, longo, eterno, amor é lindo enquanto vivo em um coração sincero. Em dois corações então, ah, é maravilhoso e único.

            Então vem a grande questão: Por que não amar sem pensar nas complicações? Por que não deixar o amor ser o protagonista? Por que não esquecer por um instante as ansiedades e receios? Eu sei, eu sei, o coração bate forte, a respiração fica acelerada só de imaginar se entregar a este lindo sentimento e não durar, ou não ser correspondido. Seria péssimo, seria doloroso, extremamente doloroso. Mas se for o contrário? E se você amar e for correspondido? Se você amar e ser lindo? E as borboletas no estômago? E o sorriso genuíno quando o amado manda mensagem? E os olhos brilhando só de ver aquele lindo sorriso? E os abraços? Os beijos? E o simples toque de duas mãos? E o segredo que só você sabe? E o medo que ele contou só pra você? E o sonho compartilhado? E a comemoração em seus braços? Eu sei, são coisas boas demais. O amor não está só. Há aquelas coisinhas chatas que gostaríamos que não tivesse, as inseguranças, por exemplo. Mas também há tantas coisas boas, gostosas e excitantes. O amor pode ser simples, basta querer. Então, por que não amar?