domingo, 31 de outubro de 2021

 

Meus fracassos


            Às vezes eu apenas queria que fosse simples e fácil. Mas nada é tranquilo quando se trata de mim. Sabe aquela sensação de que você está repetindo os mesmos erros e só encontrando decepções? Hoje ela me invadiu a mente. Poderia ser simples. Nunca é. Eu tenho algum imã para situações complicadas, só pode ser isso. Como posso sempre me colocar diante de pessoas difíceis e caminhos incertos? Me atrai. E é sempre a mesma coisa, eu digo que não irei me colocar naquela situação, mas ela vive se repetindo. Um murro em ponta de faca atrás do outro. Há quem diz que quem perde é o outro, que ter um coração mole e uma certa inocência é algo positivo e o outro apenas perde em não saber receber o meu carinho e a minha intensidade. Se isso é verdade, por que eu sinto que estou sempre perdendo? Pelo menos, tempo eu perco. Nem ouso contar quanto tempo perdi. Sou, definitivamente, louca por ainda acreditar, mesmo que um pouquinho. Seria mais fácil se eu pudesse apenas desligar as emoções e tomar o lugar do outro, aquele que não sabe receber o amor e viver com intensidade. Seria muito mais simples... Mas aí não seria eu. E eu estou pronta para desistir de mim? Não sei. Uma das perguntas mais difíceis que já me invadiram a mente. Parte de mim deseja lutar por algo diferente e excitante, mas a outra parte morre de medo de continuar socando pontas de facas. Porque, sinceramente, dói. A dor do “fracasso” é intensa, assim como a dor da perda, da desilusão. É como se o céu perdesse aquele incrível tom de azul por dias, semanas, às vezes até meses. E eu amo admirar o céu azul, como amo. Então, continuar seguindo os meus tristes padrões não é algo que aguentarei por muito tempo. Quero acreditar que pode ser diferente, positivamente. No entanto, alguns sinais me confundem, me fazem questionar se estaria eu mais uma vez seguindo o caminho do céu cinza. Não pode ser. São tantos fracassos seguidos. Uns mais duros que outros, mas sempre desgastante. Não era algo que eu buscava, ou busco. Eu sempre esperei que fosse natural, excitante, intenso. Mas me vi jogada em histórias confusas. Não sei explicar o que aconteceu, apenas me envolvi e seguidas vezes perdi. Hoje, em meio a dúvidas e questionamentos, a intensidade me acompanha. Para alguém com um coração mole, apostar sempre pareceu tentador. Dividida estou entre o receio de fracassar e a ansiedade de mudar. Só posso dizer que pronta não estou para parar de enxergar o céu azul. 


sábado, 30 de outubro de 2021

 

Você quer?


            Sabe, andei pensando em tudo o que tenho vivido, nas paixões perdidas, na intensidade com que vivo cada momento, no que eu quero e, principalmente, não quero. A vida é estranha ou eu sou? Nada parece normal quando se trata de mim. Os segundos são longos quando penso naquilo que quero para o meu coração. O fato, que me persegue, sempre, é que eu não sinto pouco. Eu sinto muito. Eu sinto bem além das trincheiras. E jogar o jogo da vida pra mim ainda é muito estranho. Eu tento controlar o que sinto, como sinto. É eterna luta que eu sempre acabo perdendo. Besteira, afinal, acho que ninguém consegue controlar os sentimentos, a intensidade e sua reação diante das etapas deste intenso jogo. Repito, não queria sentir tanto e a todo momento. Mas sinto muito, por tudo e por todos. E no quesito coração não seria diferente. Todos me dizem para me jogar, experimentar e, simplesmente, viver as emoções, as sensações e o sentimento. Bom conselho, não há dúvidas. Nascemos para jogar. No entanto, o resultado do jogo sempre me assustou. E eu sei que não sou a única a ter este medo. Estou cercada por pessoas que sentem, guardam e tem medo do resultado. Por este e outros motivos, eu e várias tantas nos perdemos em pensamentos e emoções e, frequentemente, nos oprimimos. Não deveríamos nos esquecer que há beleza no jogo e não apenas no resultado. Há? Pois bem, há. Eu vejo. Quando me permito relaxar, eu consigo admirar o frenesi da espera por aquele “bom dia”, “dormiu bem?”, “você me faz bem” ... Admiro também o frio na barriga, o sorriso bobo, a voz sonolenta, a voz bêbada que diz coisas inesperadas, a figurinha travessa, o flerte excitante. Mas a dúvida, aquela dúvida de se estou escutando apenas frases prontas, enviadas igualmente para outro alguém... Ah, essa dúvida me faz querer não sentir tanto, me faz quase implorar para não me expor. Afinal, estaria eu jogando um jogo sujo e injusto mais uma vez? Meu coração espera intensamente que não. No entanto, quando se trata do jogo da vida, tudo é incerto. E agora eu preciso saber, você quer ser o oponente, o parceiro ou o falso parceiro? Você quer lutar contras as incertezas e jogar um jogo excitante? Ou você quer me encarar e dizer que nosso jogo é único quando na verdade eu não sou a única que escuta isso? Você quer apenas sentir? Pois eu, louca, estranha, com o coração mole, ainda estou na partida tentando entender as regras.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

 

Sr. Gavião


                      Ele tem os olhos de ave, que avista a sua presa a grandes distâncias. Seu sorriso tem um traço fino e bem delineado, capaz de fazer qualquer uma perder a noção de tempo e espaço. Sua voz é convidativa, sedutora e está sempre acompanhada das palavras exatas que queremos escutar. Ele é um verdadeiro pedaço de mau caminho. Mas, olha, que caminho gostoso e tentador. E, pra piorar, o sr. Gavião sabe muitas das minhas fraquezas e pontos de sensibilidade (em diversos sentidos, para a minha perdição). No entanto, não posso me abster da culpa “disso” ter chegado aonde chegou. Desde o início eu estava consciente da sua bela face e do seu jeito conquistador. Paquerador nato, esse homem sabia muito bem o que estava fazendo. Ele sempre sabe. E eu também sabia. “É sério que você vai entrar nesse clichê e se deixar envolver por uma pessoa que o maior prazer está em conquistar?”, pensei comigo mesma. A resposta imediata foi sim. Eu sabia que daria errado e mesmo assim me joguei por completo. Me afundei na sua prazerosa e envolvente companhia. Como dizer não para essa criatura? Eu até tentei, pouco, mas tentei. Mas no segundo minuto já sabia que meu caminho estava traçado.

            Em sua companhia encontrei consolo, carinho, prazer, animação, distração... É, difícil continuar descrevendo e não querer me dar uns tapas. O sr. Gavião é do pior tipo de predador. Ele te conhece, te envolve, te conquista através das suas carências e fraquezas. Um pedaço de mau caminho muito consciente de cada palavra que diz. Ele sabe quando se fazer presente e ausente, sempre deixando aquele gosto de quero mais e de “que saudade!” (leia suspirando). Como eu suspirava... O frio na barriga era certeiro quando ele sussurrava meu nome e dizia que eu era a mulher que ele mais desejou na vida. Até a pessoa com grandes problemas de auto estima acaba se derretendo com seus elogios. Por alguns instantes você realmente acredita que é incrivelmente linda e sexy. Não que você (ou eu) não seja. A questão não é essa. O fato é que ele consegue te deixar corada e sorrindo. Às vezes é até bom, muito bom. Queria que todos soubessem, sinceramente, como são lindos e valiosos. O problema é ele dizer com segundas intenções.

Entre te conquistar, seduzir, fazê-la ter olhos e atenções só pra ele, o sr. Gavião pretende colecionar alguns (ou muitos) troféus. Sim, eu, você, todas somos lindos troféus na história desse homem. Ele tem consciência da sua própria lábia e visual. Ele sabe que se quiser, pode. E tem! Esse homem tem todas que quer. A questão é até quando ele quer. A maioria por muito tempo. Obviamente, isso vai depender de quanto tempo a seduzida vai levar pra sair do transe e concordar em ser apenas mais um troféu. Sim! Somos troféus, mas ele tem apego aos troféus. É ciumento! Isso me faz rir. Por um breve momento achei interessante o seu ciúme. Me senti muito desejada. Besteira! Mas eu tive ainda mais ciúme do que ele. Acho. 

Quando me dei conta de que realmente caí no clichê do gavião, enxerguei novamente a sua lista imensa de conquistas e troféus. Bateu ciúmes, raiva, indignação, ódio de mim mesma, decepção. Mas é difícil sair das garras desse homem. Ele não vai te pedir pra ficar, mas seu sorriso bobo, sua voz sedutora e seu olhar envolvente vão te deixar completamente desconcertada. Deixá-lo vai parecer o pior dos absurdos. Já se viu perder a atenção de um homem desses, que te deseja e te acha tão maravilhosa? “Não, né?!”, eu pensava. Fui idiota, claro. No entanto, à medida que seus galanteios ficavam mais claros, a voz da consciência pesava em minha mente e abandonar o mau caminho parecia o mais certo a se fazer. Afinal, eu merecia ser valorizada, elogiada, desejada, mas merecia ainda mais ser a única. Frases repetidas, apelidos padronizados, cantadas prontas, áudios repletos de elogios, tudo me parecia superficial e idiota. Então, eu, simplesmente, me libertei. Hoje, o sr. Gavião continua colecionando seus troféus. Não julgo. É extremamente difícil não desejar um lugar de destaque na sua estante. 

sábado, 23 de outubro de 2021

 

As Pazes


            Passei intensos momentos pensando no que poderíamos ter sido se não houvesse os “se”. Por diversas vezes fantasiei um futuro em que estivéssemos juntos e felizes, mas não durava muito tempo, sempre faltava alguma coisa. Faltava a verdade, a realidade, aquela conexão que eu sempre esperei de um relacionamento. Me culpei demais. Me culpei por não dar certo antes, me culpei por não seguir em frente com você. Nas tristezas, me culpei por não conseguir fazer dar certo e imaginei que você poderia ser o amor da minha vida. Me iludi, a tristeza aumentou e, mais uma vez, fantasiei um futuro com você. Enganada e culpada, retomei o contato. Parecia incrível. Enxerguei novamente as suas qualidades. Fantasiei mais uma vez e me iludi com uma nova visão de nós. No entanto, o tempo, os “se” do passado, a “eu de agora” e, simplesmente, o instante da vida que nos reaproximamos me fizeram dar conta de tantos outros entraves.

Confusa e culpada por me sentir tão diferente, eu continuei. Arrastada pela culpa e pela ideia de que o que estava sentindo seria passageiro, continuei o contato. Mas à medida que conversávamos e eu percebia a retomada dos “se” e daquelas diferenças que me afastaram antes, um sentimento ainda mais intenso tomava conta do meu peito. Eu não estava feliz, eu não estava sendo eu mesma, me sentia perdida e longe daquilo que um dia imaginei. Meu coração gritava, mas eu não sabia o que fazer. A ideia de te machucar, deixava a dor ainda mais forte. Eu me sentia totalmente errada. Por que aquilo estava acontecendo? eu questionava. Você sempre foi bom comigo e com as pessoas ao redor. Por que eu não poderia ser boa pra você? Eu, simplesmente, não conseguia ver a resposta. E como eu ansiava por uma resposta, por uma solução para aquele sentimento confuso.  

De repente, me deparei conhecendo novas pessoas, novas possibilidades. Minha cabeça era uma loucura, mal sabia no que focar. Totalmente perdida, fiz a única coisa possível naquele momento, diminuí a frequência com que conversava com você e com essas “novas” possibilidades. A culpa ainda invadia a minha mente e eu estava cada vez mais ansiosa por uma solução. Fiz o que sempre me ajudou, escrevi, desabafei e respirei fundo. As novas possibilidades perderam a graça e eu pude enxergar meus pensamentos e meu coração com mais clareza. A resposta sempre esteve bem lá no fundo do último. Meu coração sempre soube, mas uma mente iludida me cegou, me confundiu.

Enxerguei mais uma vez suas qualidades e enxerguei com ainda mais clareza os motivos que me afastaram de você da primeira vez. Realmente, havíamos deixado algo inacabado, o que me confundiu e me fiz criar tantas ilusões. Hoje, com o coração leve, eu sei que suas qualidades não são pra mim. Simplesmente, não temos uma conexão única e leve. Eu sempre precisei me esforçar para as conversas renderem e, sinceramente, não temos coisas em comuns o suficiente. Os diferentes se atraem apenas inicialmente, mas à longo prazo isso pesa demais. E o que eu espero de um relacionamento é bem mais que um começo empolgante. E você também merece mais, merece alguém que esteja envolvida por completo. Hoje, esse alguém não sou eu. Nem ontem, na verdade. Nunca foi pra ser. E está tudo bem. Pra mim está tudo bem. Não dói mais. As ilusões desapareceram, assim como as dúvidas. Pra mim está totalmente claro. Estou em paz com o meu passado. Estou em paz com o fim da nossa história. Preciso confessar, já tem um tempinho que cheguei à essa conclusão, mas mesmo em paz é difícil admitir pra você. 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

 

O último encontro


Cansada de bater de frente com paixões traiçoeiras, fechei meu coração, me coloquei na balança e escolhi apenas me amar. Mas como a vida simplesmente acontece, e nesses momentos pode te atropelar, estraçalhar e te quebrar em mil pedaços para depois te montar, te deixar forte e sensível, eu me deparei em frente a um abismo de sensações. Queria acreditar que não era um abismo ruim, que me afundaria, me sugasse e me levasse pra longe dos meus sonhos. Queria acreditar estar diante de um abismo que me levasse a um intenso mar, um mar de desejos, carícias, carinhos e amor. Queria acreditar que esse abismo iria continuar me tirando da minha zona de conforto, me fazendo enxergar coisas antes inimagináveis e me fazendo ter as mais incríveis excitações. Queria acreditar que suas palavras não fossem de algum passado já vivido. Queria acreditar que isso que experimentamos era fruto de uma conexão única e rara. E mais uma vez eu estava abrindo o meu coração, me expondo e me permitindo viver o incerto. Sim, sou culpada. Sou culpada por sentir sempre mais, por viver para além do que a realidade pede. Sou culpada por enxergar entrelinhas. Eram reais? Eram reais para você? E quando eu pensava que poderia ser reciproco, um sopro de entusiasmo refrescava o meu peito.

Mas quem eu queria enganar? Quem eu queria enganar com a falsa noção de que estávamos seguindo um caminho parecido? Quem eu poderia enganar a essa altura da vida? Eu, a resposta vai ser sempre eu. E mais uma vez me encontro num labirinto de emoções, pensamentos e questionamentos. Eu estava simplesmente enganada? Novamente enganada? Como fui me jogar mais uma vez, e pior, de uma forma totalmente exposta e aberta a você? Como me deixei levar por esse abismo? Todo mundo sabe que abismos são ruins. Mas eu sou assim, uma simples garota romântica, apesar de não tão garota mais, que acredita em sempre mais. Eu me deixei levar pela ilusão que essa conexão era mutua. No entanto, não existe conexão. Neste momento não consigo vê-la. Poderia ter. Teve? Não sei, já não sei mais nada. Uma densa decepção está nublando o meu julgamento. Hoje não há garota romântica querendo ver o melhor em você. Se ela vai reaparecer, eu não sei dizer. Hoje eu estou apenas decepcionada.

Acredito que já chegamos num momento da vida em que a escolha entre um possível amor incrível ou amantes carnais perdidos na noite me parece fácil. Mas pra você não. Pra você sempre foi mais atrativo ter mais de uma mulher aos seus pés, suprindo carências do corpo e alimentando o seu ego. Afinal, quem não iria querer isso? Apenas as garotas românticas iludidas com o mundo cinza. Por que sim, o mundo é cinza. Olhe para o lado, a garota não está aqui agora. Enxergo apenas as dores, as traições, o egoísmo. Já ela conseguia ver tudo isso e ainda admirar os casais que lutaram e venceram, o céu azul, as estrelas. Ela simplesmente conseguia. Eu, agora, não. O amor já não parece leve. As relações são, simplesmente, rasas, líquidas e ligeiras. O mundo cinza não sabe amar.

Quem é você e por que me fez sentir assim? E como eu sinto... Sinto demais. Todo o meu corpo sentia com a ideia de ter você aqui bem perto. Eu estremecia só de imaginar na possibilidade de se tornar real, de se tornar além. E em minha mente só tinha você. No entanto, não é bem assim. Exposta, aberta ao novo e às intensas emoções, me coloquei a mercê de alguém que eu imaginava estar conhecendo. E aquela minha dúvida parece ser respondida à medida que eu penso. Você seguia um padrão, fazia eu me sentir desejada, adorada. Mas eu não era a única. Sim, parecia ser, mas não era. Ou vai me dizer que estou enganada? Sua lábia é boa demais. Hoje eu quero recuperar o meu juízo e te encarar com frieza. O nosso último encontro promete fechar portas que eu jamais esperei fechar. Não queria que fosse assim. Olha aí a garota querendo falar por mim. Mas farei de tudo para deixa-la em casa. Você não a merece e o nosso último encontro precisa ser o último. Ela não irá sofrer mais do que já está sofrendo.