sábado, 9 de julho de 2022

 

Não estou tão bem


Cansei de ser forte o tempo todo. De parecer forte. De estar ali com palavras doces. De aceitar todas as desculpas. Cansei de ficar onde não é o meu lugar. Cansei de fingir. De não mostrar a minha dor para evitar o sofrimento do outro. De me anular pra caber em qualquer espaço. Cansei de querer o que querem pra mim. Eu, simplesmente, não estou tão bem. Não é o fim do mundo. Claro que não. É um momento. Um momento bem chato, triste, mas um momento. E a pessoa real que existe em mim ainda acredita, mesmo que hoje pareça difícil ou quase impossível. Eu preciso acreditar. Eu quero acreditar. Eu quero abraçar o mundo e os meus sonhos. Eu quero ver tudo o que se passa nessa mente acontecendo. Quero correr num lindo campo de flores, sentindo a brisa da primavera tocar a minha pele e a esperança o meu coração. Quero abraçar você. Quero ser abraçada por você. Eu espero apenas um reconfortante abraço e a sua deliciosa voz em meus ouvidos dizendo que eu ficarei bem. Eu só quero sentir a sua pele na minha, a prova de que não estou sozinha neste mundo injusto e decepcionante. Eu quero falar de mim, dos meus sentimentos... Eu quero te escutar, tudo... Eu quero o seu abraço. E agora, quando eu não estou tão bem, eu só queria o seu abraço.

Você está me escutando? Você está me vendo? Quantas vezes vou precisar dizer que não sou perfeita? Sou insegura, tenho minhas paranoias, meus momentos. Não sou forte o tempo todo. Não aguento tudo o tempo todo. Você também não. Não se feche. Seja assim, com defeitos, qualidades, momentos, dono de grandes sentimentos e sensações, seja humano. Seja apenas você, aquele que encanta. Ninguém é forte sempre, ninguém pode ser perfeito. Mas podemos ser únicos, conquistando um espaço inexplicável e inigualável na vida de muitas pessoas. No entanto, hoje não estou tão bem. Talvez hoje você também não esteja tão bem. Espero que fique. Ficaremos. Dias ruins existem. Flores florescem, mas também murcham. É tudo uma questão de cuidado, de zelo. Amanhã é um outro momento. Também pode ser um outro momento para mim, para você...

sexta-feira, 8 de julho de 2022

 

O que você quer?


            Você já parou para pensar no que o seu coração tem pedido? Tem sido o mesmo que a sua mente? Você realmente anda escutando os sinais que o seu corpo dá ou está apenas existindo, seguindo um fluxo de ações naturais da vida? Você tem vivido o momento ou está agindo inteiramente a espera do futuro? O que você queria ontem é o mesmo que você quer para o seu amanhã? As pessoas presentes em seu dia a dia hoje são as mesmas de um ano atrás? Você gostaria de ter conhecido alguém há mais tempo ou, sei lá, num futuro próximo? Você se arrepende de alguma coisa? Você faria algo diferente? Você tem se arriscado ou está preso numa zona de conforto? Perguntas e mais perguntas, simplesmente, para entender que a vida está aí. A vida é aqui e agora. A vida está passando. Quanto mais dias, menos dias. Claro, planejar e se preparar para o futuro é essencial. Mas ficar preso apenas no amanhã te impede de viver as mágicas do momento, aqueles instantes emocionantes que não se repetirão. E então, o que você fará para mudar isso? Quando você vai abrir os olhos e encarar a felicidade batendo a sua porta? Você deixa a felicidade entrar? Você deixa a oportunidade assustadora, mas excitante, invadir a sua vida? Ou você vai continuar fingindo que não quer quando o incrível te dá medo e por isso é mais fácil ficar estagnado, ignorando a possível e incrível felicidade? Não vai se repetir, pode ter certeza. Não desse jeitinho, pelo menos. Não é ficção, não há ensaios e repetições. É vida real. É aqui e agora. É uma chance única. Oportunidades vem, oportunidades vão. Pessoas vem, pessoas vão. Dores, medos, momentos também. Então pra que adiar? Pra que fingir que não quer? Pra que fugir? O que você quer hoje? O que seu coração tem insistido em pedir, que você tem fingido não escutar? O que você quer, mas tem medo de conquistar? Qual é a felicidade a sua porta que você tem ignorado? Escute bem. Olhe para o seu interior e se permita sentir. Mesmo com medo, escute, aja, vá. A vida é aqui e agora e está passando bem depressa. Não tenha medo de querer. Se habita seu coração, é único, é válido e merece ir além, te enchendo da mais linda e excitante felicidade.

sábado, 2 de julho de 2022

 

Hoje o dia não foi normal


            Sabe aqueles momentos em que você se questiona: “o que estou fazendo da minha vida?”? Pois bem, hoje foi um desses dias e também não foi. Sim, já deu pra perceber que foi uma loucura, como quase tudo em minha vida. Eu queria poder dizer que tudo aconteceu de forma natural, sem complicações e maluquices. Mas não posso. E nem sei se realmente quero isso. Como uma médica me disse uma vez, eu não fico satisfeita com o simples, ele não é o bastante pra mim. Mas realmente precisa ser tão louco? O fato é que eu tenho meu próprio modo de complicar e enlouquecer as situações, em qualquer campo da minha vida. No entanto, o campo amoroso é ainda mais inusitado. Paixões platônicas é mais simples que já me aconteceu. Eu penso “estou sentindo alguma coisa por ele” e já saio correndo. Não sei o que acontece. É eu começar a me interessar por alguém e este alguém ser reciproco, que eu fujo no mesmo instante. E nem digo que tenho atração pelos complicados e que não gostam de mim, não é isso. Eu gosto de pessoas reciprocas, que demonstram sentimento, que agem e fazem acontecer. Amo a reciprocidade, amo receber o carinho que eu também estou doando. No entanto, chega um momento em que parece não fazer sentido. Ninguém tinha ultrapassado essa barreira. Talvez fosse uma insegurança, receio de sofrer, receio de me abrir e me decepcionar. São muitas possibilidades que fazem sentindo. Mas o que acontece quando alguém atravessa essa porta sem chave? O que acontece quando eu não quero fugir? Não é o meu normal. Eu não estou no meu normal. Surpresa para todos que me conhecem intimamente e, principalmente, uma surpresa pra mim.

            Alguém, simplesmente, atravessou uma porta sem nenhuma chave ou segredo e eu não quero fugir. Não, eu não quero fugir. Não quero repetir as ações do passado e me fechar, me impedir de sentir. Se faço bem ou mal, não cabe responder aqui. Só sei que estou de permitindo sentir, não estou fugindo disso. Tenho medo? Sim. Tenho receios? Sim. Tenho diversas paranoias diariamente? Com certeza. Mas, apesar de tudo isso, eu quero seguir em frente e descobrir, seja o que for. Indo na contramão do meu “normal”, eu estou vivendo dia após dia de incertezas excitantes. E quando digo excitante, é em vários sentidos. Mas eu estou repleta de medos. Estou rodeada por interrogações e dúvidas. “Será que ele realmente me quer?”, “Será que sou apenas mais uma?”, “Será que sou apenas uma distração?”, “Somos mesmo compatíveis?”, “Estou mergulhando sozinha?”, etc e etc. Apesar de tantos questionamentos, eu quero continuar e descobrir onde chegaremos. Quero sentir seu corpo quente aquecendo o meu. Quero sentir seus lábios encontrando os meus num urgente e demorado beijo. Quero nossas mãos enlaçadas após uma deliciosa noite de excitações. Quero escutar meu nome repetidas vezes por sua voz que tanto me anima. Quero sentir o seu perfume se misturando com o meu. Quero o suor da sua pele junto com o suor da minha. Quero acordar grudada em você. Quero e quero. Apesar das interrogações, apesar de estar fora do meu “normal”, eu quero ir pra qualquer lugar com você. Qualquer lugar gostoso e recíproco, claro. Por isso, digo, hoje não foi um dia normal. Não o meu, pelo menos. Hoje eu pensei e pensei, e cheguei a conclusão que não posso fugir dessa vez. Eu não quero fugir.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

 

Sua voz


            Em toda a minha vida, eu tive claro em minha mente que eu sempre serei o meu maior suporte, o meu maior conforto e amor. E assim sigo até hoje. Essa ideia não mudou e se mantem firme aqui dentro. Apenas um detalhe tem mexido com meus neurônios: sua voz. Sim, uma voz tem me desconcertado e invadido os meus pensamentos. Mais que isso. Tem invadido o meu coração e mexido com todas as minhas emoções. Não, eu não preciso dessa voz e, muito menos, do corpo dono dessa voz. Não preciso! Posso viver sem. Claro que eu posso viver sem ela. A questão é que eu não quero. Eu quero continuar com os neurônios abalados por causa de uma voz. Eu quero estar perto, ser tocada por suas mãos, beijada por seus lábios e ter todos os pelos do meu corpo excitados pelo som da sua voz falando baixinho no meu ouvido.

            Agora me escute, por favor: não é questão de dependência, necessidade e, muito menos, vício. É apenas uma questão de conforto, excitação e sentimento. Só não me peça para nomear esse sentimento. Eu arrepio só de imaginar. Meu coração bate muito forte. Eu contraio os meus lábios enquanto uma de minhas mãos alisa o meu pescoço. Imagino você aqui. Respiração ofegante. Meu coração bate ainda mais forte. Posso escutar sua voz no fundo da minha mente. Meu coração está agitado. Não posso nomear esse sentimento. Não tenho palavras suficientes para descrever tudo o que sinto, logo eu que sou cercada pelas palavras. Não sei o que acontece, mas quando penso em você me falta vocabulário. Se é medo, autopreservação, não sei. Só sei que há muito aqui e por todo o canto do meu corpo. Sua voz me preenche de uma forma que eu jamais vou esquecer.

            Quatro letras, uma intensidade absurda e, da melhor forma possível, enlouquecedora. Basta a sua voz para eu sentir que é possível, que é único e especial. Sua voz sempre vai despertar todo a excitação presa no meu corpo. E é assim, só de imaginar eu me arrepio por inteira. Então, sim, eu escolho sua voz, seu corpo e todos as sensações e sentimentos envolvidos. Mas não, eu não vou te colocar em primeiro lugar. Não vou esquecer o meu combinado, a minha missão de amor próprio. No entanto, estou aqui (você sabe onde). Estou aqui, estou sempre aqui disposta a te escutar e deixar a sua voz mexer com todo o meu corpo, minha mente e o meu coração. Mas escute: eu amo a sua voz, mas apenas ela já não é suficiente.

domingo, 15 de maio de 2022

 

Criaturas misteriosas


            O que buscamos? Como buscamos? O que esperamos? O que estamos dispostos a fazer? O que estamos dispostos a arriscar? Independente das respostas, a verdade é que somos confusos e estamos perdidos neste mundo enorme e repleto de possibilidades. Quando, finalmente, sentimos, depois de muito procurar a tal da faísca, fugimos. Nós, simplesmente, fugimos daquilo que sentimos. Fugimos dos sentimentos. Fugimos do outro amado e de tudo aquilo que vem junto. Bota confusão nisso. Temos medo. Temos medo de nos expor. Temos medo de sofrer. Temos medo de não dar certo. Temos medo das incertezas. Temos medo dos grandes e lindos sentimentos. Mais do que apenas numa relação amorosa, porque também acontece nas relações de amizade. Temos medo de acabarmos dependentes do afeto e do conforto do outro. Temos medo de sermos decepcionados. Porque, infelizmente, é isso que o ser humano faz com frequência: decepciona o seu semelhante.

            Mas ainda seria viver? Podemos chamar de viver quando deixamos de sentir efetivamente o que habita o nosso coração? Sei que o medo nos impede de coisas incríveis. O medo já me impediu de coisas incríveis. O medo me deixou habitando por muito tempo a minha zona de conforto, aquele lugar que nada de extraordinário acontece. Mas eu quero viver o extraordinário. Eu quero sentir o incrível. Eu quero ter aquela sensação única de estar à beira de um abismo excitante. Se eu vou cair ou voar, eis a questão. Eu posso despencar e sentir muita dor. Mas eu também posso me jogar e ganhar asas. E ainda pode acontecer de eu encontrar um outro alguém voando ao meu lado. Eu quero viver a excitação do abismo do sentimento. No entanto, tenho medo. Muito medo. A maioria de nós tem esse medo. E se eu me jogar sozinha? E se eu sentir sozinha?

            A verdade é que somos criaturas misteriosas, repletas de desejos, sonhos, medos das expectativas e das tentativas. Somos criaturas rodeadas por sensações, impulsos e, muitas vezes, arrependimentos. Nos doar, nos expor e deixar o outro atravessar a nossa zona de conforto, é uma missão dificílima. Começa com uma grande questão: posso confiar nessa pessoa? Questão complexa, resposta difícil. Muitas vezes a confiança que depositamos em alguém pode ser quebrada após uma decepção e isso dói demais. Como saber que posso confiar? Não existe uma resposta certa e única. Afinal, cada um sente e vive de um jeito único. Eu, por exemplo, busco seguir o meu coração e a minha intuição. Ele, simplesmente, sente que a pessoa é especial, confiável e merece a minha confiança. Superado isso, outra questão: até que ponto posso me abrir? Uma terceira: até que ponto posso sentir? Uma quarta: até que ponto posso me arriscar? E, a quinta: até que ponto posso viver? São apenas algumas, das inúmeras questões que surgem quando estamos diante do outro, seja qual for a sua relação com ele.

            Criaturas misteriosas, de sentimentos e agires misteriosos. Sentimos, mas nos limitamos diariamente, nos impedindo de habitar abraços e beijos. Sentimos, mas não voamos para perto do nosso amado por medo. Temos sonhos, objetivos excitantes, mas o receio do erro nos puxa para trás e não seguimos adiante. Pobre criatura misteriosa, que muito sente, mas pouco faz e se arrisca. Pobre criatura misterioso, poderia ter um mundo inteirinho brilhando em seu coração, mas prefere não dar um passo diante do incerto. Entendo. De certo modo, entendo. Já fiz isso. Só não dá para habitar a zona de conforto para sempre. Quantos abismos extraordinários perderemos até entender isso?