sábado, 21 de junho de 2025

 

Desinibida


Eu sempre irei me lembrar do dia em que nos beijamos. Naquele dia, tudo fez um sentido enorme em todo o meu corpo. O êxtase que eu sentia ao conversar com você se transformou em um intenso frenesi assim que nossos corpos se encontraram. Eu imaginava que seria loucura sentir tanto tesão por alguém sem nunca ter a beijado. Mas o tesão que se revelou a seguir, me deixou ainda mais perplexa. Eu pensava que era impossível aumentar. Aumentou e muito. Eu vibrava por inteira só de ter você pertinho de mim. E queria mais, muito mais. Eu queria o abraço. Nos abraçamos e eu me senti aquecida. Eu queria o beijo. No beijamos e foi delirante. O melhor beijo da minha vida. Nos encaixamos de tal forma... A conexão foi tão única. Na hora eu não disse, mas uma parte bem intima do meu corpo tremeu. Nós queríamos mais. Mais toque, mais beijo, muito mais intimidade. E para a surpresa de ambos, eu me entreguei por inteira, esquecendo a timidez que a vida inteira tomou conta de mim.

A timidez é o meu segundo sobrenome. Ela me perseguiu desde a infância e está presente em todos os campos da minha vida. Um simples "bom dia" para um estranho faz a minha voz estremecer. Imagina conhecer a pessoa que eu troquei mensagens quentes por muito tempo... Eu era puro tremor e ansiedade. Não apenas pela timidez, o meu coração quase saía pela boca. Eu pensei que iria ter um treco logo no dia em que nos conheceríamos. Felizmente, superei essa ansiedade e aos poucos me soltei, me reconectando com uma das pessoas que melhor me conhece em todo o mundo. E como conhece, você sabe disso. A forma como eu me desnudo com você, ultrapassa os limites da minha timidez. Ninguém conhece o meu corpo como você e isso é surpreendente.

Além da timidez, sempre fui insegura com o meu corpo. E ainda sou um pouco. No entanto, a nossa conexão intensa fez eu me soltar. Aos poucos, eu aprendi a apreciar meu corpo e a não ter tanta vergonha. A forma que você faz eu me sentir à vontade e confortável, me ajudou. Claro que no primeiro momento houve muito receio. O medo do julgamento e das críticas mexiam com a minha cabeça. Mas você sempre esteve ali, deixando tudo mais leve e gostoso. A vergonha natural do primeiro contato se transformou num momento de pura excitação. E o tesão que eu sentia nas conversas, se triplicou em sua presença. Meu corpo queria você. Meu corpo queria ser visto e tocado por você. E eu não tinha tanta vergonha disso. Eu não estava insegura. Eu sentia que era recíproco o intenso desejo. Eu te queria e você me queria na mesma intensidade. Então a inibição deu espaço para uma desinibida super empolgada. Eu desejava tanto o seu toque, o seu beijo, as nossas carícias, que toda a insegurança desapareceu naquele instante. Eu só queria você e mais nada.

Claramente, depois bateu a leve vergonha. Eu estava duplamente vermelha, corada de vergonha e frenesi. Mas você segurou minhas mãos, me deu um leve beijo na boca e eu entendi. Uma conexão única e delirante, que sempre pedia mais e mais. Eu queria mais de tudo com você. E sempre vou querer. Nada de vergonha. Ao seu lado sou uma "sem vergonha" no melhor sentido da expressão. Totalmente desinibida e com a libido exaltada. Você mexe com todo o meu corpo e mente. Te querer parece certo e estar em seus braços, para além do suor delicioso, é extremamente confortável. Com você, meu segundo sobrenome é desinibida.

 

 

terça-feira, 17 de junho de 2025

 

Quando Aperta


Eu gostaria de ter uma palavra mágica, que era só falar para apagar qualquer pensamento ou sentimento indesejado. Infelizmente, essa palavra não existe. Infelizmente, não existe mágica no mundo inteiro capaz de apagar pensamentos e sentimentos. Existe apenas o processo... Ainda estou aprendendo, lutando, errando, caindo nas armadilhas da mente e do coração. E que coração teimoso, nunca vi outro igual. Um coração que ainda se recusa a enxergar com clareza a realidade, relutante em entender que perdeu. Meu coração ainda vive suspirando e minha mente tentando acalentá-lo. Trabalho diário e lento... Será que chego lá?

No entanto, preciso ser sincera. O coração não é o único que fracassa às vezes. Meu corpo, meu íntimo, vive fracassando, dando sinais de quereres... Meu corpo me cutuca diariamente, ansiando por aquele toque que apenas ele tem (que você tem). Eu ainda sinto o seu perfume envolvente, suas mãos pelo meu corpo, sua respiração em meus ouvidos, seu sorriso encontrando o meu sorriso. Estou sorrindo só de imaginar e, mais uma vez, eu fracassei. O processo é duro demais quando o coração é tão mole e sonhador e o corpo deseja como o meu corpo deseja. Parece que voltei mil passos. O processo é realmente duro.

Continuo sorrindo e imaginando ele sorrir de volta pra mim, como naquele dia em que nos vimos pela primeira vez. Tudo parecia tão certo e verdadeiro. A conexão diária se concretizou ali. Foi único. Balançou todas as minhas estruturas, se é que você me entende. Meu coração aqueceu ainda mais, meu corpo superaqueceu... Eu estava toda rendida e entregue, doida para ser dele. E parecia que ele também queria ser meu. Pelo menos, nossos corpos davam sinais. Nossos corpos davam sinais diariamente. Ele me conheceu dos pés até a cabeça e até do avesso. Ele conheceu todas as minhas fragilidades e defeitos... E permaneceu... Até antes. Não mais, na verdade. Mas ele permaneceu por um tempo e isso me surpreendeu, mexeu com a minha mente. Como pode me conhecer de tal modo a ponto de permanecer? Se foi, como eu sempre imaginei...

Ficou por um tempo, a ponto de me desnudar por completo e de diversas formas, mas se foi. E, hoje, estou aqui voltando diversos passos ao refletir como sua passagem foi um estrondo em minha vida. Sua pele gostosa, seu perfume delicioso, seu toque envolvente, seu abraço acalorado, seu sorriso encantador... Tudo ainda mexe demais comigo, a ponto de apertar meu peito de saudade. Hoje, depois de um sonho intenso e confuso, a saudade está estraçalhando o meu coração. A vontade é de fazer a loucura de ir atrás de você. Mas a razão, mesmo por um fio, ainda me segura. Precisamos entender, mente, coração e corpo, que você se foi. Você se foi e só resta essa saudade apertada e essas memórias acaloradas.