sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

 

Sorria


            ”Levanta, toma um banho, toma aquele café, bota um sorriso no rosto e vai encarar a vida. Busque pelo o que você mais deseja”. Sim, é um bom conselho. Muitas pessoas dão este conselho. Eu já dei este conselho. Não é dos piores. Um bom café preto é bem-vindo. Levantar da cama é uma história bem diferente. Sorrir? Hoje? Você precisará fazer um esforço um pouquinho grande. Sorrir? Agora? Nem um palhaço me faria sorrir genuinamente. Nem você, meu amor, sendo o palhaço me faria dar uma gargalhada. Logo eu, que adoro rir do acaso, das besteiras da internet, do vento... Rir com você... E eu sei como você adora isso, a sua ”adorável riso frouxo. Ela está aqui em algum lugar, quietinha, adormecida. No lugar dela estou somente eu, a ”sua pessoa”, aquela mulher repleta de defeitos, manhas, quereres desproporcionais... Aquela que às vezes, muitas vezes, se sente só e perdida. Totalmente perdida neste mundo louco, cheio de outras pessoas perdidas e estranhas. Não é fácil ser uma pessoa estranha neste mundo bagunçado. O que me faz ser assim? Por que tantos quereres distantes? Impossíveis?

            O que há de errado comigo? Por que querer tanto? O mundo nunca foi justo. O mundo nunca será justo? Odeio ser pessimista. Odeio enxergar tanta feiura quando já enxerguei tanta beleza. Há beleza. Claro que há. Eu já vi, e ainda vejo, a beleza. Mas hoje... Hoje, simplesmente, está feio e ruim. Por que não poderia ser sempre belo? Por que não poderia ser apenas sorrisos e afagos? Um carinho cairia bem, muito bem. Quem sabe eu enxergue novamente a beleza. Eu sei que há em algum lugar. Pode ser gostoso. Pode ser lindo. Pode ser justo. Mas hoje não é. Hoje não é o que eu queria. ”Apenas sorria e vá”, minha cabeça insiste em me dizer. Mas para onde irei? Onde poderia ser apenas belo e gostoso, a ponto de arrancar do meu rosto o mais genuíno dos sorrisos? Quero sorrir. Quero enxergar o belo. Quero ir. Para onde? Preciso saber onde.

            Neste momento, a cama parece confortável. Não há julgamentos. Não há olhares. Não há feiura. Só há a minha cama quente e eu. Sozinhos em meio as lágrimas. Sozinhos em meio a um milhão de pensamentos. Não é belo. Não me faz sorrir. É apenas confortável. Parte de mim, uma grande parte, quer ficar. Enrolada em meu edredom, longe dos perigos do mundo e bem distante de outras decepções. Não sorrio, mas também não encontro outras fontes de mais lágrimas. Já há mais que o suficiente de lágrimas em meu rosto. Estou inchada o suficiente para saber que não aguento mais. Só queria a beleza... Só queria a segurança... Seus braços, talvez. Não precisa ser o palhaço. Não tente me fazer sorrir, mesmo querendo ver o meu riso frouxo. Seja apenas a minha segurança em minha cama. Hoje, apenas esteja aqui. As coisas não estão bem. Talvez amanhã eu sorrio. Hoje, um abraço me fará bem.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

 

Não me deixe ir


            Eu não posso ir... Por favor, não me deixe ir. Você não sai da minha mente. Eu tentei. Eu juro que tentei. E como tentei... Não se engane... Mas, simplesmente, não sou tão forte. Eu não consigo controlar. O que você fez comigo? Eu vou, mas sempre volto. Por favor, não me deixe ir. Eu sei, pode parecer loucura. Não estou louca. Não é vício. Ou será que é? Afinal, o que é um vício? Dizem que são coisas que causam dependência e fazem mal. Não estou dependente. Não estou mal. Impossível ficar mal com o calor do seu corpo. Impossível ficar mal com suas ágeis mãos tocando minhas partes mais calorentas. Impossível ficar mal com nossos corpos nus suados. Impossível ficar mal com seus lábios encontrando os meus num beijo urgente e melado. Impossível ficar mal com meu coração saltitando pelo seu toque. Sim, impossível ser um vício ruim. Eu não estou mal... Eu não estou dependente... Só não me deixe ir. Porque eu só quero você.

            É loucura imaginar que eu só quero você? Não, não... Não é loucura. Tenho certeza que você sente, pelo menos, um pouquinho do que estou sentindo. Eu sei que você vibra como eu vibro quando estamos juntos. E sim, a distância também não é nada simples. Eu me toco imaginando que é você quem está me tocando. Não é o mesmo, mas é tão intenso quanto. E você sabe que intensidade é meu segundo nome. O sabor... O cheiro... O meladinho... Tudo fica ainda mais gostoso quando imagino você. Você sabe como eu aprecio. Você sabe como eu aprecio estar comigo mesma e te contar isso. E aprecio ainda mais quando estou com você. Por favor, não me deixe ir. Apenas me toque mais uma vez. Me toque outra vez e me faça sentir a intensidade que tanto amo. Apenas sinta toda intensidade comigo.

            Apenas quero você me tocando mais uma vez. Eu sei, já falei isso várias vezes. Mas nunca parece o suficiente. Nunca é o suficiente. Na minha super fértil mente, você é o protagonista de grandes e intensas ações. E, por acaso, são ações incrivelmente deliciosas. Você sabe disso, eu nunca escondi. Com você as palavras, simplesmente, saem de minha boca, assim como os beijos, mordidas, lambidas... Minha boca quer a sua pele urgentemente. Quero estar em seus braços o dia inteiro, me descabelando e te deixando tonto de tanto sentar em você. Tudo bem, eu dou um alívio. Pode comandar também. Eu gosto. E gosto muito quando você assume e me pega como quem pega aquilo que mais deseja no mundo. Me preencha com o seu tesão. Me deixa sentir todo aquele desejo que você diz sentir por mim. Me deixa delirar de paixão juntinho com você a noite toda. Me pega, me beija todinha, sem limites, sem prazo. Não me deixe ir outra vez. Me faça ser sua hoje, amanhã, todo dia e toda hora. Pois eu só quero você. Eu só quero o seu toque gostoso. Eu só quero ser o seu único toque gostoso. Eu quero ser a única. Não me deixe ir. Me beija mais uma vez e eu serei sempre sua. Me beija e faremos disso um vício bom.